Na ópera não tem microfone: a voz é o instrumento, e precisa preencher a sala inteira sozinha. Por isso as vozes são classificadas por altura e cor, da mais aguda à mais grave (tessitura), e cada tipo costuma viver um tipo de personagem. Este é o mapa, do soprano ao baixo.
Soprano
A voz feminina mais aguda e, quase sempre, a heroína da história: a que ama, sofre e leva a plateia às lágrimas, como Violetta em La Traviata. É a voz que costuma ficar com as árias mais famosas.
Mezzo-soprano
O meio-termo feminino, mais escuro e aveludado. Vive a rival, a cigana, a sedutora, às vezes o vilão, como Carmen em Carmen. Também faz os papéis "de calça": personagens masculinos jovens cantados por mulheres.
Contralto
A mais grave e mais rara das vozes femininas. Fica com as feiticeiras, as mães, as amas e figuras de peso dramático. Justamente por ser rara, é muito valorizada.
Tenor
A voz masculina mais aguda, o herói apaixonado por excelência: Rodolfo em La Bohème, Calaf em Turandot. Quando o tenor sobe no agudo, é o momento que o teatro inteiro espera.
Barítono
O meio-termo masculino, talvez a voz mais versátil: o amigo, o pai, o vilão, o esperto que rouba a cena, como Fígaro em O Barbeiro de Sevilha. Fica entre o brilho do tenor e a gravidade do baixo.
Baixo
A voz mais grave, a da autoridade: reis, sábios, sacerdotes e vilões sombrios, como Sarastro em A Flauta Mágica. Quando o baixo canta, o chão parece tremer.
Contratenor
A surpresa: uma voz masculina aguda, na região do contralto, herdeira dos castrati e estrela da ópera barroca. Impressiona justamente por contrariar o que se espera de uma voz de homem.
Qual é a sua?
O cantor descobre cedo em que naipe a voz se encaixa, e isso vira identidade: soprano é soprano com orgulho. Para o público, conhecer os tipos muda a escuta, você passa a ouvir quem é quem no palco.
