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Óperas brasileiras: por onde começar

Do Guarani de Carlos Gomes, aplaudido no La Scala em 1870, à ópera que se escreve até hoje: um mapa da ópera que fala português, com as fontes para você se aprofundar.

Quando se fala em ópera, o imaginário corre para a Itália, a Alemanha, a França. Mas a ópera também se cantou, e ainda se canta, em português. O Brasil tem mais de um século e meio de ópera própria: obras que estrearam nos maiores teatros do mundo e outras que quase ninguém ouviu. Este é um mapa para começar, com as fontes no fim para quem quiser ir fundo.

A primeira ópera brasileira foi em 1860

A história começa antes de Carlos Gomes. Em 14 de dezembro de 1860, o Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio, encenou A Noite de São João, de Elias Álvares Lobo, com libreto de ninguém menos que José de Alencar: a primeira ópera escrita por um brasileiro e cantada em português, diante do imperador Dom Pedro II. Há um detalhe bonito nessa noite. Quem regia a estreia era um jovem quase desconhecido que, dez anos depois, ficaria mundialmente famoso com outra ópera tirada de um romance de Alencar. O nome dele era Carlos Gomes. (a história completa)

Carlos Gomes e o Guarani no La Scala

Retrato de Carlos Gomes, 1886
Carlos Gomes em 1886.Domínio público / Wikimedia Commons

Em 19 de março de 1870, Carlos Gomes estreou O Guarani no Teatro alla Scala, em Milão, e se tornou o primeiro compositor brasileiro celebrado na capital europeia da ópera (Itaú Cultural). No Brasil, a obra chegou em 2 de dezembro do mesmo ano, no aniversário de Dom Pedro II (Agência Brasil). Depois vieram Fosca, Salvator Rosa, O Escravo e Condor. Gomes provou uma coisa que soava improvável no Império: dava para compor ópera de nível internacional a partir do Brasil (A Campinas de Carlos Gomes).

Antes de seguir, ouça o que fez Milão aplaudir de pé: O Guarani no registro do Theatro Municipal de São Paulo.

O Guarani, de Carlos Gomes · Theatro Municipal de São Paulo

A geração que procurou uma voz própria

Entre Gomes e o modernismo, românticos tardios mantiveram a ópera viva por aqui: Leopoldo Miguez, wagneriano de Os Saldunes, e Henrique Oswald, de formação europeia. Depois, a música brasileira parou de só imitar a Itália e passou a procurar um som próprio. Alberto Nepomuceno defendia que se podia cantar arte em português quando isso ainda soava estranho. Heitor Villa-Lobos, o maior nome da nossa música, levou floresta e folclore à cena em A Menina das Nuvens e Yerma. Francisco Mignone escreveu O Contratador de Diamantes, sobre a Inconfidência, e O Chalaça. E Camargo Guarnieri pôs o interior de São Paulo no palco com Pedro Malazarte (Ópera Brasileira).

A ópera brasileira de hoje

A tradição não virou museu. Nas últimas décadas, uma nova geração seguiu escrevendo ópera no Brasil, com linguagem e temas próprios. Jorge Antunes, pioneiro da música eletrônica por aqui, levou o experimental à cena em Contato, e Jocy de Oliveira fez da ópera um teatro total de vanguarda. João Guilherme Ripper, à frente da Escola de Música da UFRJ, transformou Guimarães Rosa em ópera com Augusto Matraga, e Tim Rescala aproximou o gênero do humor e do público jovem em A Orquestra dos Sonhos.

A veia experimental seguiu com Arrigo Barnabé em O Homem dos Crocodilos. E nomes como Clarice Assad, de Ópera das Pedras (2011), e André Mehmari, de Viramundo (2021), mostram que a ópera brasileira não é herança guardada: continua nascendo agora.

Fontes e para se aprofundar

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