Você provavelmente já ouviu ópera sem saber. Ela escapou do teatro faz tempo: está em final de Copa, em trilha de filme, em propaganda e até em desenho animado. Estas são cinco árias que todo mundo reconhece, de onde elas vêm e por que grudam no ouvido.
Nessun Dorma: a da Copa de 1990
Foi o hino não oficial da Copa de 1990, na Itália, na voz de Luciano Pavarotti, e termina num "Vincerò!" (vencerei) que arrepia. É a ária do príncipe Calaf em Turandot, de Puccini, cantada na madrugada em que ele aposta a própria vida num enigma.
Habanera: o amor é um pássaro rebelde
"L'amour est un oiseau rebelle", o amor é um pássaro que ninguém domestica. É a entrada de Carmen em Carmen, de Bizet, e você já ouviu em dezenas de filmes e comerciais sem saber o nome. A melodia virou sinônimo de sedução.
O Mio Babbino Caro: a do cinema
Doce, curta, chorosa: "ó meu paizinho querido". É de Gianni Schicchi, de Puccini, e vira trilha de filme e propaganda toda vez que a cena pede beleza pura. Na ópera, é uma filha implorando ao pai para deixá-la casar.
Der Hölle Rache: os agudos impossíveis
A ária da Rainha da Noite, de A Flauta Mágica, de Mozart: aqueles agudos altíssimos e velozes que parecem impossíveis para uma voz humana, hoje meme de "quando alguém canta agudo demais". Na história, é uma rainha furiosa mandando a filha matar. Fúria nunca soou tão virtuosística.
Largo al factotum: "Fígaro! Fígaro!"
"Figaro qua, Figaro là": o barbeiro que faz tudo e fala mais rápido que todo mundo. É de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e você provavelmente a ouviu primeiro num desenho animado. Aquele "Fígaro! Fígaro! Fígaro!" atropelado é ela.
Afinal, o que é uma ária?
Ária é o momento em que a ópera para de contar a história e um personagem canta, sozinho, o que sente (definição). Se a ópera fosse um álbum, a ária seria o hit: a faixa que sai do disco e vira cultura. Por isso essas cinco escaparam do teatro, e por isso você já as conhecia.
